Vitor Júnior vira consenso do grupo de Eduardo Paes para presidir a Alerj
O deputado estadual Vitor Júnior (PDT) está praticamento consolidado como nome de consenso entre partidos da oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para concorrer a presidente da Casa. O pedetista se fortaleceu na disputa para enfrentar Douglas Ruas (PL), ganhando o apoio do ex-prefeito do Rio e pré-candidato a governador, Eduardo Paes (PSD), e de um bloco que reúne ao menos 28 deputados.
Na noite desta segunda-feira (13), uma reunião liderada po Eduardo Paes na sede do PSD reuniu dirigentes de partidos que apoiam sua pré-candidatura ao governo do estado — PT, PSB, PDT, PCdoB e MDB — e o nome de Vitor Júnior saiu praticamente unificado como opção para a disputa interna da Alerj.
Nos bastidores as informações são de que, até mesmo o PSOL, que discutia lançar candidatura própria, sinalizou possibilidade de recuo. Os psolistas teriam indicado que poderiam abrir mão de um nome próprio caso a escolha do grupo de Paes recaísse sobre Luiz Paulo (PSD), Martha Rocha (PDT) ou Vitor Júnior (PDT). Como Luiz Paulo e Martha Rocha não demonstraram interesse em disputar o cargo, o caminho abriu para a consolidação de Vitor Júnior como candidato único do bloco.
A nova eleição para a presidência da Alerj depende da conclusão dos procedimentos da Justiça Eleitoral para homologar a retotalização dos votos para deputado estadual efetuada por causa da cassação do mandato do ex-presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil). A homologação está programada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) para esta terça-feira (14). Somente após essa etapa o pleito interno poderá ser realizado na Alerj.
O processo foi reaberto após a anulação da eleição realizada em 26 de março, quando Douglas Ruas chegou a ser eleito em uma sessão contestada pela oposição. A decisão de invalidar o pleito foi tomada pela presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio, desembargadora Suely Lopes Magalhães, que considerou irregular a antecipação da votação antes do cumprimento da determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Vitor Júnior, agora candidato de consenso, foi um dos autores do mandado de segurança que levou à anulação da eleição relâmpago.
A disputa ocorre em um cenário de instabilidade política no estado do Rio. Desde 2025, o governo enfrenta uma série de mudanças institucionais, incluindo a saída do vice-governador Thiago Pampolha (MDB) para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o afastamento do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), após ser preso, em dezembro, pela Polícia Federal, na Operação Unha e Carne, que investigou a ligação de políticos com o Comando Vermelho (CV), principal organização criminosa do estado.
A crise se intensificou com a renúncia do governador Cláudio Castro (PL), em março deste ano, na véspera de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso Ceperj que o tornou inelegível. Desde então, a reorganização das forças políticas na Alerj passou a ter impacto direto nas articulações para as eleições estaduais de 2026.
A definição sobre quem vai comandar o estado em um mandato-tampão até dezembro depende do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a polêmica judicial que envolve o caso. O julgamento foi adiado após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O STF vai definir como será o modelo de escolha do governador, se em votação direta pelo eleitores ou indireta, pelos deputados estaduais
Com a interrupção do julgamento, o governo fluminense segue sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, que permanece no cargo até nova deliberação da Corte.
Fonte: Agenda do Poder
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