Alerj vive rearranjo político com criação de novo bloco parlamentar
Um grupo de deputados estaduais acaba de formar um novo bloco político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Para demonstrar força, nesta segunda-feira (12) eles foram recebidos pelo presidente da Casa, Guilherme Delaroli (PL), para tratar do futuro do Legislativo fluminense.
Integram o bloco Marcelo Dino e Arthur Monteiro, ambos do União Brasil, além de Thiago Rangel (Avante), Vitor Junior (PDT) e Giovani Ratinho (Solidariedade). Segundo um dos parlamentares, a articulação tem como objetivo reequilibrar as forças políticas, em um cenário de mudanças internas iniciado após o afastamento do então presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil).
Apoio à presidência e reorganização interna
Durante a reunião, além de discutirem a formação do bloco, os deputados também ouviram de Delaroli um pedido de apoio para sua permanência à frente da presidência da Alerj.
Bacellar foi afastado do cargo em dezembro do ano passado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto das investigações sobre o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, conduzida pela Polícia Federal.
Desde que assumiu o comando da Casa, Delaroli vem promovendo uma reorganização administrativa e política, com exonerações já realizadas e a sinalização de que novas mudanças ainda devem ocorrer. Esse processo tem alterado o equilíbrio interno de forças e influenciado as articulações entre os deputados.
Desconforto e reação nos bastidores
A formação do novo bloco tem causado desconforto e incômodo entre alguns parlamentares, especialmente em setores que concentravam maior poder antes do afastamento de Bacellar e que, desde então, vêm perdendo espaço. Há receio de que o grupo recém-formado ganhe força excessiva e passe a influenciar decisões estratégicas da Casa.
Nos bastidores, também circularam especulações de que Thiago Rangel e Giovani Ratinho estariam se mobilizando para reivindicar a indicação de cargos ainda vagos e considerados relevantes na estrutura administrativa da Assembleia. Os integrantes do bloco, no entanto, afirmam que “não estão em jogo interesses escusos, cargos ou a disputa por poder interno.”
Estratégia para retorno de Bacellar
Paralelamente às movimentações do novo bloco, aliados de Rodrigo Bacellar articulam uma estratégia para que o deputado retome suas atividades na Assembleia e consiga reverter sua situação no STF. Bacellar já recorreu da decisão que o afastou, e pessoas próximas esperam um desfecho nos próximos dez dias.
A eventual volta de Bacellar ao comando da Alerj é vista como especialmente sensível diante do calendário político do estado. Há a expectativa de uma eleição indireta para governador em abril, com a possível renúncia do governador Cláudio Castro, que deve deixar o cargo para concorrer ao Senado Federal. Nesse cenário, o controle da presidência da Assembleia ganha peso estratégico e intensifica as disputas políticas internas.
Disputa pelo governo é intensa
Diferentes grupos políticos intensificaram as articulações para influenciar o resultado da disputa na Alerj e, principalmente, para tentar enfraquecer candidaturas que hoje despontam como favoritas.
Entre os nomes mais citados estão os de Nicola Miccione, chefe da Casa Civil, e de Douglas Ruas, secretário estadual das Cidades. Ambos são ligados ao núcleo político do governador Cláudio Castro e ao PL, partido que concentra parte significativa da articulação governista.
Movimentação nos bastidores da Assembleia
Nos bastidores, o secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano, ex-presidente da Alerj, tem ampliado contatos com deputados estaduais por meio de ligações e reuniões reservadas.
Ele vem sinalizando interesse em disputar a vaga e busca apoio, principalmente, entre parlamentares de esquerda. Segundo relatos internos, esse grupo já teria indicado disposição de manter voto em Ceciliano caso sua candidatura seja oficialmente apresentada.
Aliados avaliam que, caso Rodrigo Bacellar retome o comando do Legislativo, ele teria condições de conduzir o processo da eleição indireta para governador-tampão e, a partir disso, influenciar o fortalecimento da candidatura de Ceciliano, com quem mantém relação próxima. Entre deputados, essa movimentação é vista como uma articulação informal em torno de uma chapa.
Força do grupo governista
Apesar dessas articulações paralelas, interlocutores da Assembleia avaliam que o grupo liderado pelo PL segue com maior consistência política. A frente governista tem como principais articuladores o deputado federal Dr. Luizinho (PP), o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), Washington Reis, o presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, além do próprio governador Cláudio Castro.
Esse núcleo atua para costurar apoios e assegurar a vitória de Nicola Miccione, considerado o principal nome de confiança do governador, ou de Douglas Ruas, secretário das Cidades e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson. Ruas é visto como um nome em ascensão e apontado como pupilo político de Altineu Côrtes, o que reforça seu espaço dentro da articulação governista.
Fonte: Agenda do poder
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