Paes acusa Castro de integrar ‘máfia sem limites’ e chama Douglas Ruas de ‘pupilo’
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paescriticou o ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo da Polícia Federal nesta terça-feira sob suspeitas de envolvimento em aportes irregulares feitos pela Rioprevidência no Banco Master. Em uma publicação no X, Paes, que é pré-candidato ao comando do estado, disse que “o nível de vagabundagem dessa máfia é sem limites”.
No mesmo post, o ex-prefeito também disse que o grupo político associado ao esquema “quer ganhar por eleições indiretas e lançar um pupilo de Castro governador”, em referência à articulação para que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL-RJ), assuma o comando do estado.
Eleito para o cargo por meio de uma votação indireta no mês passado, o deputado estadual tem tentado assumir o Executivo do estado, mas depende da definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o modelo que deverá ser seguido na sucessão do estado.
Entenda a operação da PF contra Castro
Agentes da PF cumpriram na manhã de hoje mandados de busca e apreensão em endereços do ex-governador a partir de indícios sobre uma suposta atuação do ex-mandatário para viabilizar os aportes bilionários da Rioprevidência no Banco Master, a começar pela troca da cúpula da autarquia logo antes dos investimentos.
Segundo os investigadores, tal “alinhamento” levou à “nomeação estratégica” de nomes para cargos-chave da Rioprevidência de forma a garantir que as decisões sobre a aplicação do dinheiro dos aposentados fossem conduzidas em “desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master”.
A PF cita ainda “eventos e encontros custeados ou organizados” por Vorcaro em “contexto de proximidade pessoal” com Castro, assim como outras irregularidades que viabilizaram os investimentos. Segundo a corporação, foram suprimidas etapas técnicas do processo de decisão sobre onde o dinheiro dos aposentados seria aplicado e não foram apresentadas “justificativas formais idôneas” para os investimentos.
A apuração faz parte da oitava fase da Operação Compliance Zero, desdobrada da Operação Barco de Papel. Agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília. O advogado de Claudio Castro, Carlo Luchione, não comentou. Ele acompanha as buscas e informou que ainda não teve acesso à decisão que autorizou a operação.
A investigação aponta que os aportes bilionários em Letras Financeiras e fundos de investimento criados ou utilizados pelo Master se deram em desconformidade com a política de investimentos do regime de previdência e exigências regulatórias.
A Polícia Federal viu “alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas”.
Fonte: O Globo
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