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Concha Acústica, símbolo cultural de Itaperuna, volta ao centro da discussão

Nos últimos dias, voltou a circular nos bastidores políticos e sociais de Itaperuna a possibilidade de demolição da Concha Acústica, espaço cultural idealizado pelo ex-prefeito Cláudio Cerqueira Bastos, o saudoso Claudão. A justificativa seria a degradação do espaço, o abandono e a insegurança que marcaram os últimos anos.

Mas é preciso ter cuidado para não confundir abandono com inutilidade. A Concha Acústica não perdeu o seu valor histórico, cultural e simbólico. O que houve foi a falta de manutenção adequada e de políticas públicas consistentes que dessem vida ao espaço.

A Concha foi palco de grandes momentos de convivência, encontros e eventos que marcaram gerações de itaperunenses. Ali se apresentaram músicos, aconteceram festivais, atividades culturais e manifestações populares. Não se trata, portanto, de uma simples construção de concreto, mas de um marco da identidade cultural da cidade.

Destruir a Concha seria apagar uma parte da memória coletiva de Itaperuna. A solução não está na demolição, mas sim na reestruturação e revitalização. Com projeto técnico adequado, é possível transformar o espaço em um verdadeiro centro cultural a céu aberto, com condições acústicas modernas, estética renovada e infraestrutura que valorize o calçadão e a Avenida Cardoso Moreira.

Além disso, é preciso compreender que os problemas de segurança e da presença de moradores em situação de rua não serão resolvidos com máquinas de demolição. Esses desafios exigem políticas públicas sérias e humanas, que ofereçam acolhimento, tratamento e oportunidades para quem vive à margem. É papel da gestão pública garantir que o espaço seja ocupado por cultura, arte e lazer, afastando assim o cenário de abandono que abriu espaço para a degradação.

Reestruturar a Concha significa manter viva a história e a memória cultural de Itaperuna, além de entregar para as próximas gerações um espaço revitalizado, seguro e capaz de cumprir o papel para o qual foi criado: ser um ponto de encontro, convivência e valorização da arte.

O futuro da cidade não pode ser construído com base na destruição da sua história. É hora de enxergar a Concha Acústica não como um problema, mas como uma oportunidade de transformação.

Por Gabriel Clalp.

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